quinta-feira, abril 28, 2005

Velhice

Catei uma série de pensamentos urticários dos pêlos intrincados da minha velha mente. Tenho para mim que há certos momentos que se perdem pois existe um certo vazio no meio das memórias, uma estranha presença feita de ausências, coisas que contavam a minha história e que... onde estão?

Acordei(?) em cuecas no meio de um prado, mastigava erva humedecida pela noite enquanto fitava sem sentido o horizonte distante. Lá, onde a imaginação começa as suas viagens, avistava-se o redondo insinuado do Sol matinal, acompanhando o calor dos seus sons antecipados.

Estou louco...

sexta-feira, abril 22, 2005

Sentidos

Observei ontem de noite, logo a seguir ao jantar, o fluir redondo do detergente, esmagado contra o cilindro metálico e escudado pelo vidro grosso da minha máquina de lavar roupa... Foi nesta hipnose consentida que encontrei o sentido das últimas palavras do meu avô Felício quando, esbugalhando os olhos, e engasgado naquele fatídico osso de galinha, conseguiu gritar: "fodi-me!".

quinta-feira, abril 14, 2005

quarta-feira, abril 13, 2005

A Ramela de Hórus!


No Egipto de há alguns milhares de anos era venerado um deus cuja representação era um olho. Um olho famoso aliás e, à boa maneira egípcia, belo!

Na terra o Faraó (aparentemente palavra de origem grega, por curiosidade) era a sua incarnação, daí ser divino, ser filho de Isis e Osiris, e ser o garante da paz entre os deuses e os homens.

Não conheço qualquer história sobre um Faraó cego, mas se tal tivesse existido seria sem dúvida irónico. No entanto e como todos nós humanos, os ditos Faraós dormiam mesmo estando imbuídos de todo aquele poder divino. Ora dormiam, dizia eu, e o meu ponto é que algumas dessas manhãs em que acordavam especialmente ramelosos, talvez existisse um piedoso sacerdote de Hórus pronto para guardar as preciosas ramelas de Hórus...

Eis pois, como no Egipto Antigo deuses e homens partilhavam a "realidade", e havia inclusivé quem venerásse um deus-olho que sabia existir pois a ramela estava ali, e podia ser tocada...

Por onde tudo começa!

Como é já conhecido desde o célebre tratado de Herbert, o início é uma altura delicada. Basta um sopro, talvez um suspiro, para que as cegas tecelãs enredem irremediavelmente um "novo" Destino, sendo que tal noção, para quem crê na inevitabilidade de tudo e de nada - ou seja no tal Destino, seja apenas uma tolice paradoxal... Quem sopra? Quem se sobrepõe ao dito Destino? Porquê termos que cagar? E qual verdadeira a razão do sexo?! E se alguns de vós pensarem que a Natureza é a reposta para algumas destas questões, porque não perguntarem, em que diferem as necessidades básicas, ou primárias - aquelas que derivam da "vontade expressa" da tal Natureza - da angustia de saber como dobrar o próximo Cabo das Tormentas...

Eis-me pois, embarcando em uma nova viagem, desta vez embalado pela calmaria enganosa deste oceano digital, no interior asséptico desta embarcação precária chamada "site" web(!) como se a mera alteração da ordem das palavras transformasse esta frase numa pura expressão de literatura lusa... Enfim, atribulações de quem começa!

É assim mais um início, com todas as suas subtis implicações...