manhã,
memória ferida
dos traços oblíquos da noite;
deixados pingar
por uma lua de prata,
resvalando depois,
das copas das árvores
deste meu jardim
espectral.
por aqui sinto escorrer
as preces das sementes,
como se o vento ordenasse escusa
e um intervalo silencioso
mussitasse o fim do mundo.
nada detém o tempo,
nem sementes,
nem deuses;
a minha solidão soma-se
até à próxima
manhã.