há em cada verso,
a desilusão;
um simples travão
maldoso e perverso...
aguardas sem tom,
com o olhar quieto,
o passo discreto
preso por um dom
que não existe mais.
soltas em uns ais
toda a inquietude
desse sentimento,
que em um só momento
faz que tudo mude!…
gemem nos teus olhos
lágrimas dos meus;
surdirá aos molhos
o sangue de um deus.
sem graça se morre
de um tédio maior;
e a esperança escorre
sem dia melhor.
quarta-feira, novembro 12, 2014
sexta-feira, setembro 26, 2014
cocó no chão
é um amontoado de processos simples, de pequenas chatices, de grandes porras, de grande aborrecimento, o percurso diariamente pendular da burocracia e da mecânica mercantil; os filhos da puta espreitam com afã dos buracos com que armadilham o chão, e olhando, apenas, intentam dobrar a verticalidade do andar dos outros.
existe muita gente desta, alguns alardeando auto-investidos paramentos morais, outros cheios de razões próprias e mentiras diversas - atenta bem neles, uma pequeníssima distracção e já está! pior que pisar merda!...
existe muita gente desta, alguns alardeando auto-investidos paramentos morais, outros cheios de razões próprias e mentiras diversas - atenta bem neles, uma pequeníssima distracção e já está! pior que pisar merda!...
sexta-feira, setembro 12, 2014
das pessoas que falam entredentes
pessoas que falam entredentes
e soerguem o nariz
para melhor desdenhar de ti,
merecem de volta
olhares intestinais...
salvé aos donos de olhares loucos,
às velhas desdentadas
e aos putos sem mãe!
o futuro raramente será deles
e o presente só dá merda...
estava a fixar distraído as paredes do meu pensamento,
fiz umas contas,
deram erro...
e soerguem o nariz
para melhor desdenhar de ti,
merecem de volta
olhares intestinais...
salvé aos donos de olhares loucos,
às velhas desdentadas
e aos putos sem mãe!
o futuro raramente será deles
e o presente só dá merda...
estava a fixar distraído as paredes do meu pensamento,
fiz umas contas,
deram erro...
quarta-feira, setembro 10, 2014
Precipício
cheira-me o caminho todo
ao travo irrespirável da lixívia
- cheira a falso limpo
por sobre vasta podridão,
nada mais conta,
nada mais vale,
tudo assepticamente fed[e].
abstraí o meu estado
em parâmetros numéricos de precisão infundada,
e o destino bate-me nas costas
com a (des)confiança dos cínicos.
estranho dever-se um peso imenso
por uma montanha que não se vê.
a luz mais adiante
apenas é a fresta de uma porta a fechar.
ao travo irrespirável da lixívia
- cheira a falso limpo
por sobre vasta podridão,
nada mais conta,
nada mais vale,
tudo assepticamente fed[e].
abstraí o meu estado
em parâmetros numéricos de precisão infundada,
e o destino bate-me nas costas
com a (des)confiança dos cínicos.
estranho dever-se um peso imenso
por uma montanha que não se vê.
a luz mais adiante
apenas é a fresta de uma porta a fechar.
sexta-feira, agosto 08, 2014
não-eu-eu-não
o pedaço que eu despedaço
sai penosamente de mim,
fazendo-te eu sofrer assim
quando sem desejar o faço...
agrado-me desagradando-me
e acrescento-me desgraçando-me;
eis-me por um passo e outro inútil,
cada vez mais sujeito fútil...
não vejo já o deus dos deuses,
oiço apenas o uivo dos ventos
entre a desbravada dos meses.
eu rasgo em gesto decidido
as páginas dos meus intentos,
até que calo e mais não digo.
sai penosamente de mim,
fazendo-te eu sofrer assim
quando sem desejar o faço...
agrado-me desagradando-me
e acrescento-me desgraçando-me;
eis-me por um passo e outro inútil,
cada vez mais sujeito fútil...
não vejo já o deus dos deuses,
oiço apenas o uivo dos ventos
entre a desbravada dos meses.
eu rasgo em gesto decidido
as páginas dos meus intentos,
até que calo e mais não digo.
quinta-feira, agosto 07, 2014
merda... que não me apetece!
ando atrasado
fora do ritmo
desfasado,
até,
sempre!
a azáfama deste mundo de preceitos esconsos,
pululando de becos
e quelhas impossivelmente estreitas,
está pronta a sacrificar localmente
aquilo que espaços infindos,
agora fósseis vibrando viés
de mostruários tecnológicos,
abriam outrora ao guião sem norma
dos sentimentos.
assim definhamos nós
todos os dias;
tatuando na pele da alma
os traços toscos do tempo
riscados com fúria marcial.
há muito que não me deixo levar por um relógio no pulso,
mas continuo escravo
como os outros.
fora do ritmo
desfasado,
até,
sempre!
a azáfama deste mundo de preceitos esconsos,
pululando de becos
e quelhas impossivelmente estreitas,
está pronta a sacrificar localmente
aquilo que espaços infindos,
agora fósseis vibrando viés
de mostruários tecnológicos,
abriam outrora ao guião sem norma
dos sentimentos.
assim definhamos nós
todos os dias;
tatuando na pele da alma
os traços toscos do tempo
riscados com fúria marcial.
há muito que não me deixo levar por um relógio no pulso,
mas continuo escravo
como os outros.
sexta-feira, julho 04, 2014
palco
não sei se o desgosto é montanha,
se a verdade pendula sob o jugo da gravidade,
ou a memória engana
quando se verte como enxurrada,
nas contas dos dias,
num excesso de saudade.
não sei buscar fonte que me farte,
nem como aplacar este ardor perene nos olhos;
sinto aliás inútil
a vontade de fixar uma origem de tudo.
teimam os pés em seguir o decreto ininterrupto do sol.
desistir seria mais fácil...
assim me tombam os sonhos,
como caem os frutos maduros;
assim,
dizem-me,
cresço.
...
quando estendo os dedos,
juro que ainda te toco.
se a verdade pendula sob o jugo da gravidade,
ou a memória engana
quando se verte como enxurrada,
nas contas dos dias,
num excesso de saudade.
não sei buscar fonte que me farte,
nem como aplacar este ardor perene nos olhos;
sinto aliás inútil
a vontade de fixar uma origem de tudo.
teimam os pés em seguir o decreto ininterrupto do sol.
desistir seria mais fácil...
assim me tombam os sonhos,
como caem os frutos maduros;
assim,
dizem-me,
cresço.
...
quando estendo os dedos,
juro que ainda te toco.
quinta-feira, junho 12, 2014
suspensão
adormeço os meus medos
no espaço nu das vírgulas,
pontuando de enredos
o eu que me verte em lágrimas.
nas sombras canto a luz
como quimera bruta
do quanto me seduz.
depois reservo ao tédio
a cor letal das horas,
somando como assédio
o gume dos segundos.
choro esquecido a tudo
sem pinga de vergonha,
sem rasgo de futuro.
em cada pinga um medo,
cada sonho um degredo...
suspira-me esperança
um vento da tua voz,
e essa pequena dança
de sílabas viçosas,
voluteia no reverso
de um entender sumário
dos poros do universo.
o desejo nos dedos
perlonga mais um pouco,
queimando na memória
o fado de ser louco.
no espaço nu das vírgulas,
pontuando de enredos
o eu que me verte em lágrimas.
nas sombras canto a luz
como quimera bruta
do quanto me seduz.
depois reservo ao tédio
a cor letal das horas,
somando como assédio
o gume dos segundos.
choro esquecido a tudo
sem pinga de vergonha,
sem rasgo de futuro.
em cada pinga um medo,
cada sonho um degredo...
suspira-me esperança
um vento da tua voz,
e essa pequena dança
de sílabas viçosas,
voluteia no reverso
de um entender sumário
dos poros do universo.
o desejo nos dedos
perlonga mais um pouco,
queimando na memória
o fado de ser louco.
quarta-feira, maio 07, 2014
teoria dos jogos
eu não estive quase nada
em lugar algum,
fazendo aliás de conta estar,
parte do tempo todo,
no cume vertiginoso e resplandecente
que imagino,
em traços despidos de concreto,
ser o poiso dos sábios.
investiguei aí
como respirar o dom precioso
de dar tudo no gesto
ornando-o de palavras sangradas,
e ousei ficar só
fechado na planície que se abre
e enche
das tentações várias do bulício.
acabei por te dizer estas coisas finais,
e agora que te dei o que está dito,
reparo
- nem um olhar casual
me deixaste...
em lugar algum,
fazendo aliás de conta estar,
parte do tempo todo,
no cume vertiginoso e resplandecente
que imagino,
em traços despidos de concreto,
ser o poiso dos sábios.
investiguei aí
como respirar o dom precioso
de dar tudo no gesto
ornando-o de palavras sangradas,
e ousei ficar só
fechado na planície que se abre
e enche
das tentações várias do bulício.
acabei por te dizer estas coisas finais,
e agora que te dei o que está dito,
reparo
- nem um olhar casual
me deixaste...
quinta-feira, abril 24, 2014
urge
viajo todos os dias
por caminhos direitos e
demasiadas vezes
cinzentos,
gosto de me ausentar deles
esquivando-me dessas linhas certinhas
por via de mitos e desejos,
coloquiando prolixo entre ausências amadas
e presenças sonhadas.
[...]
depois sai-me o gesto,
por vezes vago
por vezes extenso
por vezes forte
por vezes vasto;
mas por baixo e por cima
permeando tudo isto
sente,
quem está desperto,
o olor universal e gelado
da morte,
namorando com paciência porfiada
o momento de nos rapinar o riso,
sempre
com demasiada pressa.
o mundo tem de mau
certa saudade,
o mundo tem de bom
certa memória
e certos olhos
que vêem e tocam
o pomo da alma.
hoje estou vivo,
é urgentíssimo
que te abrace!...
por caminhos direitos e
demasiadas vezes
cinzentos,
gosto de me ausentar deles
esquivando-me dessas linhas certinhas
por via de mitos e desejos,
coloquiando prolixo entre ausências amadas
e presenças sonhadas.
[...]
depois sai-me o gesto,
por vezes vago
por vezes extenso
por vezes forte
por vezes vasto;
mas por baixo e por cima
permeando tudo isto
sente,
quem está desperto,
o olor universal e gelado
da morte,
namorando com paciência porfiada
o momento de nos rapinar o riso,
sempre
com demasiada pressa.
o mundo tem de mau
certa saudade,
o mundo tem de bom
certa memória
e certos olhos
que vêem e tocam
o pomo da alma.
hoje estou vivo,
é urgentíssimo
que te abrace!...
quinta-feira, abril 10, 2014
das coisas
enrolada numa antecâmara tremida
escorrega a gota inútil
abraçada a um reflexo provisório do mundo.
aguarda sem rumores ou sentidos prolixos
a rotura pacífica de uma origem
sem acto inicial
nem referências póstumas;
o conceito de pertença não se convoca
no movimento imposto num ancho silêncio;
feitas as contas,
se contas fizessem as abelhas coleccionando pólenes
ou as flores que deles se esvaem
por via da descoberta cega de assim se fazerem outras,
serviria esse facto,
sem qualquer eco,
um fado gemido sobre a nudez absurda das árvores caducas.
a escassa distância de tal cisão intensa
mora uma infinidade de postulados humanos,
montando um afobado destino
por via da vertigem constante nos medos próprios;
é que depois do tumulto revoltoso dos pós
ou da insídia indiferente dos raios do sol,
constroem-se nuvens que ocultam,
sem vontade expressa,
o momento de luzir a face lunar
queimada na sonolência sem braços
de mais uma noite.
e
nada.
escorrega a gota inútil
abraçada a um reflexo provisório do mundo.
aguarda sem rumores ou sentidos prolixos
a rotura pacífica de uma origem
sem acto inicial
nem referências póstumas;
o conceito de pertença não se convoca
no movimento imposto num ancho silêncio;
feitas as contas,
se contas fizessem as abelhas coleccionando pólenes
ou as flores que deles se esvaem
por via da descoberta cega de assim se fazerem outras,
serviria esse facto,
sem qualquer eco,
um fado gemido sobre a nudez absurda das árvores caducas.
a escassa distância de tal cisão intensa
mora uma infinidade de postulados humanos,
montando um afobado destino
por via da vertigem constante nos medos próprios;
é que depois do tumulto revoltoso dos pós
ou da insídia indiferente dos raios do sol,
constroem-se nuvens que ocultam,
sem vontade expressa,
o momento de luzir a face lunar
queimada na sonolência sem braços
de mais uma noite.
e
nada.
terça-feira, abril 08, 2014
espessura
é espesso o novelo
contando aos pedacinhos,
enleados num conluio vago,
um filigrana das trevas.
aguardo notícias da primavera
neste covil de sussurros;
algures
o cimento ecoa o movimento excessivo dos dias,
enquanto a vida escorre nos poros quentes do alcatrão.
por norma as flores não me falam
tomam-me por traidor,
e as janelas fecham-se fremindo pólenes furiosos
dos seus canteiros lisboetas.
à beira-rio marulha o lodo,
segue sem vontade o pulso da maré
sobe até se marcar na margem,
mas ignora-me as palavras que lhe deixo pelos olhos.
a solidão é esta coisa de pedra
e de areia.
resvala sem propriamente cair
e chama pelo nome todos os rostos embuçados pela
trivialidade.
estava neste instante a matutar no ciclo dos dias,
e em como não existe sequência para além da memória
seja ela saudade
seja dor
seja merda;
estava mesmo atento a este volume infinito
onde ninguém escreveu o que é possível que venha a ser;
e agora perdeu-se-me o fio da coisa.
mas não importa,
pois é espesso o novelo
contando aos pedacinhos,
enleados num conluio vago,
um filigrana das trevas.
terça-feira, março 11, 2014
o canto do nu
olho-te nos olhos
um fogo-desencontro;
no céu,
jamais fixarei o grande olhar
sob pena de queimar-me o ver,
sob pena de perder a luz
e esta visão de ti;
caia a noite,
vê-la-ei no dorso de uma fera branca,
correndo entre as fogueiras remotas
de irmãos e crentes distantes.
conheço-te o sorrir
apenas da pele que toco em ti,
mas quero vê-lo,
no todo,
nu,
sem véus,
com estes olhos meus.
um fogo-desencontro;
no céu,
jamais fixarei o grande olhar
sob pena de queimar-me o ver,
sob pena de perder a luz
e esta visão de ti;
caia a noite,
vê-la-ei no dorso de uma fera branca,
correndo entre as fogueiras remotas
de irmãos e crentes distantes.
conheço-te o sorrir
apenas da pele que toco em ti,
mas quero vê-lo,
no todo,
nu,
sem véus,
com estes olhos meus.
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
o "dia" dos namorados...
gosto pouco de dias de; dizem-me, em o eu sentir isto, um sinal de ser mal disposto... mas é mesmo raro, muito raro, desejar um dia, de, no dia em que, de, decidiram ser.
depois não me recordo ser dia, de, sem que queiram vender, o, por ser com, de, tão bem "relacionado."
vão, pois, de, bardamerda e um muito obrigado!...
depois não me recordo ser dia, de, sem que queiram vender, o, por ser com, de, tão bem "relacionado."
vão, pois, de, bardamerda e um muito obrigado!...
terça-feira, fevereiro 11, 2014
no tom
Não tenho nas mãos as respostas,
tenho antes,
transbordando,
um cesto de perguntas...
o imo da integridade não se coroa em palavras
amontoadas como ditados precisos,
contando-se ao invés,
na valentia incómoda dos silêncios.
por isso me calo,
até me perder depois,
quando finalmente
digo...
tenho antes,
transbordando,
um cesto de perguntas...
o imo da integridade não se coroa em palavras
amontoadas como ditados precisos,
contando-se ao invés,
na valentia incómoda dos silêncios.
por isso me calo,
até me perder depois,
quando finalmente
digo...
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