terça-feira, abril 30, 2013
impossíveis
é assim que faz fazer-se
a voz
vontade inclusa em moribundo volteio regular,
percepcionando um fundo injusto
nesse jeito estranho que tens
de amar;
acção precisa
ao assalto de montes fumegantes
prenhes de cheiro a morte,
controlando a infinidade de consolos e propósitos fátuos.
ruge além um invólucro vazio
votado ao som do desapego,
soado nos sigilos sonoros dos suores das bestas
e no gemer confuso e húmido do sexo.
a ferrugem que esconde o brilho do metal afiado
não aquece,
assomando à omissão da frieza
uma aptidão pronta
ao rasgar da carne,
se por tal se excitar
uma vontade qualquer.
ao redor do corpo
insinuam-se fronteiras bruxuleantes,
os olhos mentem
até o sentido imaterial se desfazer
aos pedaços
no chão indiferente que sobra.
desejas voltar,
é impossível.
sexta-feira, abril 26, 2013
templo
faça-se do dia
um doce melaço
escorregando com a lentidão do ócio
e pingando dos meus dedos
como pingam os segundos
nos compassos de tédio
que inspiram o tempo.
o templo da liberdade
vê-se cercado por desertos,
arde,
e a madeira do futuro
crepita até se fazer carvão podre
alimento de fábricas perversas
produzindo vastidões de nada!
ergue-se a mão furiosa
esganando num aperto viril
o círculo esgotado,
que eternamente retorna,
como sede e como depósito eterno
de promessas;
o pão pagar-se-á com ouro encharcado de sangue,
as feridas
quando finalmente fechadas
lembrar-se-ão como esboços talvez vagos
sulcados numa pele velha.
toma a minha mão,
sente-a,
aí se entorna
o único sentido das coisas.
sexta-feira, abril 19, 2013
[du]vi[dar]
começo com esta dúvida
embrumando-se na memória actual
das coisas
como um fumo
arquitectado em volutas
quase invisíveis.
eu aguardo o momento
ritmado ao compasso das subtilezas
por onde se perdem todas as notas.
estava porém a olhar-te
perdido na instável concessão feita
todos os dias
aos dias por vir.
não era isso distracção
não era isso alheamento.
e se te olhava assim
na tua ausência física
era por ser um castigo
este querer ver-te aqui
no agora que se enfeita
de pedaços certos
num mundo de arestas
em carne-viva.
começo
pois
com esta dúvida
já não é ela bruma
mas cimento.
começo
e depois
acabo.
e assim se sussurra a verdade.
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