segunda-feira, junho 29, 2009

Criacionismo

O Criacionismo perfila-se não apenas como uma interpretação alternativa mas antes como a explicação inquestionável do Mundo.
No presente o Criacionismo mascarou-se de Ciência e apresenta o "Desenho Inteligente" como a (única e irrefutável) explicação para o aparecimento e desenvolvimento da vida na Terra. Um dos argumentos mais utilizados actualmente resume-se ao seguinte:
1- Informação codificada tem sempre origem inteligente
2- O DNA tem informação codificada
3- O DNA teve origem inteligente

O argumento da "informação" inexoravelmente ligada à "inteligência" é de facto muito apelativo, principalmente nesta nossa "Era da Informação" e, à partida, parece ser um argumento interessante. No entanto o mesmo pode ser dito, por exemplo, em relação ás "Leis" da Natureza que a Ciência tem vindo a estudar, ou ás "constantes físicas" que de forma aparentemente milagrosa pareceram conspirar para tornar o universo que contemplamos possível. Tudo isto de uma maneira ou de outra pode ser considerado como informação "escondida" na Natureza e "inexplicável" e assim "suportar" uma acção divina.

Os adeptos do DI usam e abusam do argumento puramente estatístico dizendo que seria impossível explicar a "Teoria da Evolução" usando a aleatoriedade de mutações do ADN e, com este raciocínio, descartam uma teoria que tem sido observada vezes sem conta à luz do método científico. O argumento puramente estatístico é reducionista dado que não tem em linha de conta as "leis" da natureza, os processos bioquímicos e os factores ambientais que a Ciência já observou e que podem, deixando discorrer o tempo necessário, servir-se da aleatoriedade para criar e eleger algo como o ADN como a base para a Vida na Terra. Por outro lado, não sabemos até que ponto a "matéria prima" da Vida não estará espalhada pelo Universo e que, no fundo, não sejamos todos fruto de um encontro de moléculas extraterrestres com os elementos da "nossa" Terra, atalhando significativamente o processo de "criação" das bases da Vida tal como a conhecemos.

Existem claramente mais perguntas que respostas e isso é um estímulo e não um engulho.
De facto temos muitas "deixas" para deixarmos de pensar e questionar o nosso mundo e voltarmos aos tempos em que o Conhecimento se resumia à simples contemplação e interpretação dos desígnios de Deus.
O mais perigoso no "debate" Criacionismo vs Evolucionismo é o primeiro implicar que deixemos de lado o cepticismo empírico e metódico da Ciência, que nos fez avançar no conhecimento do Cosmos, pela certeza inexplicável da Fé que nos fechou dentro de nós mesmos durante milhares de anos... para quê?

As Viagens dos Outros...

Não gosto particularmente de viajar.
Compreendo no entanto essa necessidade, melhor, essa obsessão, de fugir para longe da rotina; nada melhor que uma viagem para deixar para trás o que nos frustra no dia-a-dia. Também entendo o prazer sentido ao contemplar certas paisagens ou conhecer outras gentes, culturas, etc.
No entanto, "sabendo" tudo isto, sei também que estes momentos ficarão apenas como memórias entre uma imensidão de outras e que, para mim, não se destacam acima do prazer da leitura, da simples e boa conversa, do convívio em familia, da amizade singela e desinteressada que, no fundo, poderemos igualmente descrever como viagens do espírito...

Pessoas existem que falam ad nauseam das suas viagens, deste ou daquele pormenor que as maravilhou: do mergulho "fabuloso", da caminhada exigente e compensadora, da paisagem fantástica,...
É bom sentir estes prazeres, excelente ficar com as recordações, fantástico enriquecer a alma com experiências variadas, maravilhoso partilhar os momentos. Mas não convém esquecer que viajar é apenas um adereço entre as muitas coisas que definem aquilo somos.

quarta-feira, junho 24, 2009

Caminho...

Há dias em que o peso do Mundo se abate inexplicavelmente sobre nós. Em que tudo parece mais sombrio do que na realidade é. Em que os desabafos entristecem sem aliviar e a vontade é esmagada.
Há dias em que não se explica o que nos dói, pois essa dor é feita de coisas que não se explicam.
Há dias em que procuramos paz, mas apenas recebemos bulício e desassossego.
Há dias que precisamos viver, mas fazer por esquecer, para depois podermos voltar a ser o que somos até, em definitivo, deixarmos de o ser.

sábado, junho 20, 2009

Viver e Morrer…

“[…] Ninguém se preocupa em viver bem, mas sim em durar muito, quando afinal viver bem está ao alcance de todos, ao passo que durar muito não está ao de ninguém.”

Lúcio Aneu Séneca, in ‘Cartas a Lucílio’, 22,17 (Ed. Fundação Calouste Gulbenkian)

sexta-feira, junho 19, 2009

Com Um Brilhozinho Nos Olhos...



Palavra puxa palavra e as palavras fazem adivinhar a alma que, lá atrás, se dá a conhecer como o tesouro que realmente é.

Hoje soube-me a muito: a amizade é assim!

quinta-feira, junho 18, 2009

Observações...

A observação das relações humanas, independentemente da qualidade transmitida pelo observador nas suas conclusões, permite assestar alguns pontos interessantes.

Ainda que defendido pelo escudo sonoro da “minha” música digitalizada, tive a oportunidade de presenciar com o devido distanciamento mais uma discussão de “princípio” (infelizmente nada de muito elevado, embora este juízo de valor seja algo descabido no presente contexto) entre dois colegas.

Como em muitas discussões deste tipo, as conclusões não se pretendem construtivas e aglutinadoras; temos mais uma espécie de competição que quase inevitavelmente atinge um clímax sonoro – a razão tende a acompanhar quem gritar mais alto…

No final cada ego retira para lamber as feridas tentando reconstruir as certezas e manter a sua integridade mais ou menos intacta.

Mas debrucemo-nos um pouco sobre este estado de coisas. Como se podem eles retirar com as mesmas certezas que tinham no início? Apenas se não se chegaram a ouvir um ao outro. Também poderíamos admitir que ambos têm razão, mas tal soa a estranho e sendo ambos inteligentes tal deveria promover uma aproximação, não um rejeitar mais ou menos azedo e liminar do outro. Por outro lado podemos ter em conta as dimensões egóicas e assim postular que aceitar o outro e as suas ideias implica uma humildade não acessível a todos.

Provavelmente será legítimo concluir, ainda que sob a forma de hipótese especulativa, que a discussão entre dois “absolutos” inevitavelmente se conclui na forma de dois absurdos que se perpetuam…

quarta-feira, junho 17, 2009

Angustia dos Momentos

Há por vezes interregnos que se concretizam em ausências dolorosas.
Aquela palavra daquela pessoa que nos falhou naquele inefável momento que se perdeu para todo o sempre… Aquela carícia que nunca se concretizou… Aquele olhar que nunca nos chegou a cruzar…
Momentos que se perderam mesmo antes de o serem e que nos magoam mais que qualquer dor.

Indelicadezas...

Existem pessoas em relação ás quais, nunca percebi exactamente porquê, sinto um enfado enojado e permanente. Uma dessas pessoas ocupa um espaço próximo no meu local de trabalho, assim como que bem (ou mesmo) demasiado próximo; isto torna os meus dias, bastas vezes, processos desgastantes e penosos. Mas tal estado de coisas é um problema meu e, provavelmente, origina-se numa qualquer falha da minha parte… adiante!
Esta dita criatura, voltando de férias, deu-nos o distinto prazer de partilhar um momento pungente e de (alguma) intimidade familiar ainda que, temo, algo indelicado. Disse ele que “ela” (a sua mulher…) “quase chorou” para que o médico o deixasse a ele (a dita criatura que me causa alguns engulhos) assistir a uma certa e determinada intervenção cirúrgica. Isto foi dito com uma ligeireza arrepiante, quase senti pena da rapariga, mas seguiram-se mais pérolas!...
Após a cena de (quase ou mesmo efectivo) “choro” lá foi o homem autorizado a presenciar a dita operação.
“Assistir àquelas séries estilo ‘Nip/Tuck’ ajuda mesmo”, “Vi bué da sangue” e finalmente “Depois daquilo o médico perguntou-me o que é que eu fazia e disse – ‘portou-se muito bem!’ – ah!, ganda homem, penso eu de mim para mim – eh! eh! eh!” – riu-se ele apatetado.
Na verdade a coisa foi ainda mais detalhada, não sei se o conseguem imaginar...

Respirei fundo e continuei… É difícil mas consegue-se…