sexta-feira, outubro 30, 2009

As Minhas Vozes...

Todos os sentimentos em excesso
soam, em excesso, patéticos!
Todas as vozes que em vão
internamente se debatem,
quando finalmente libertadas,
troam em desmesura ecoando
uma incoerente desagregação do Eu.
A serenidade, quando volta,
é como uma luz fraca que nos
alumia a desdita mas,
por via da sua subtil intensidade
nos permite, por momentos,
esconder a face da vergonha...

quarta-feira, outubro 28, 2009

A Dor do Outro

Quando sofro
por te ver sofrer
a minha dor é a mesma,
e é diferente.
Como se o sofrimento
fosse um fio invisível
atando as diferenças
num afogo tal,
que a dor que em nós diverge
se funde, por momentos,
num sentir igual...

quinta-feira, outubro 22, 2009

Que Sabes Tu…

Discutes hoje da morte o nome,
a ideia, o vago conceito,
como se fosse esse o preceito
para cessares essa fome
que acompanha teus dias...
Sabe que à morte não fias
e quando chegar teu momento
cessarão as vãs especulações
ficando de ti o sentimento
com que tocaste outros corações...

quarta-feira, outubro 21, 2009

Máxima

Parece legítimo exigir dos outros aquilo que honestamente exigimos de nós mesmos, é demonstração de sabedoria viver de acordo com o princípio que os nossos princípios (e exigências) não são universais...

quinta-feira, outubro 15, 2009

Interregnos (Suspensão)

Sou intento, na mesma medida
em que sou invento...
Uma memória de acção
entre a confusão dos dias.
Sou uma lição do passado
voz de antanho abafada
pelas distâncias do Tempo...
Sou ignorância e ignorado,
e enquanto esperança
sou uma convicção de futuro
uma forma de estar
feita uma maneira de ser...

sexta-feira, outubro 09, 2009

Sobre Sonho e Desejo

Os sonhos permitem-nos projectar os nossos desejos, aspirações, paixões em sentimentos e, por vezes, são poderosos guias para a vida.
A realidade força-nos a sentir sem filtros e, por vezes, a desejar não o fazer.

terça-feira, outubro 06, 2009

Confesso-me uma Procura...

O som da minha derrota é estrondoso!
E o silêncio do que chamo esperança,
morre à distância, num cansaço pesaroso.
Nisto se enfrentam, em furiosa dança,
Passado e Futuro, e o infernal Presente
que afirma uma teimosa continuidade
é afinal uma outra forma de ser ausente,
uma angustiosa manipulação da vontade
contrária aos justos movimentos naturais,
onde o todo se resume a conjuras causais.
Sou pois como uma simulação de alento,
para além de toda a manifestação honesta
de querer, determinação e sentimento.
Sou um coração a quem o amor admoesta,
Uma ideia que busca ser um ideal,
Ruína recomposta, Bem afeito ao Mal.