já não são apenas sombras
envolvendo em véus cinzentos
o que se nomeia envergonhadamente por dúvida.
o ar ele mesmo
remete para um peso de excessos,
oprimindo a respiração
e com ela,
a urgência de ser livre.
a urbe medra numa soberba irreprimível,
arvoando sentidos e decência,
deslaçando gesto de sentimento,
negando aos passos o concreto do chão
e a promessa dos sonhos.
são perdidos
aqueles que encontramos prostrados por becos escuros,
secos de esperança
cegos ao porvir.
a balança pende já para a morte,
a forma exausta
curva-se sob a rectidão falsa de outros;
o número devora a carne
e rasga as ruas com dentes de cimento.
não há crime mais ignóbil
que o crime
do homem moral.