quarta-feira, abril 28, 2010

Devoto

Recordas-te de quando em criança
sentias felicidade na brisa
da Primavera e que a esperança
se mostrava uma coisa precisa
por entre risos e brincadeiras?
Eras ser de coisas verdadeiras,
um espaço sem fim de vontade
onde se encantava a liberdade!
Diz-me agora que te faz chorar,
para que seque tão tristes lágrimas
e com meus beijos te vá tocar
no sítio onde guardas as últimas
dores do teu gentil sentimento;
seremos um só - tu, eu e o momento...

terça-feira, abril 27, 2010

O Morto

A morte sorveu-te assim sem reservas
numa qualquer vereda iluminada,
a indiferença olhou despudorada
como se fosses igual ás ervas
que ignoramos na beira de um caminho...
Foste em tempos um pai, amante, vizinho
e agora és mais um acerto do nada
parábola de um vazio idealmente
cantado como saudade chorada...
Viverás um pouco mais, diferente,
como memória aninhada no amor
até seres uma pequena dor,
recordação difusa dos momentos
em que foste um deus doutros sentimentos...

sexta-feira, abril 23, 2010

É tanto o poder que tem a tua voz
que a sua singela ausência será dor...
É tanto o teu ser no que somos nós
que não estares aqui perto, amor,
é forma de o universo se perder,
por entre as brechas da minha memória,
por entre os imensos vazios sem glória,
e em toda a tola forma de sofrer...

sexta-feira, abril 16, 2010

São os momentos confusos
os que nos trazem surpresas
do mundo; é toda a sorte
de sons e véus, soltando
erro e verdade na exacta
cor e medida, que cavam
os sentimentos em nós...
Sou ser de buscas e dor,
sonho e quimera de luz
que louco sai procurando
tanto o recato sem mácula
como o pecado da paixão!
Não canto mais sobre amor
e assim me calo na fé
de que o futuro será
singela oferta de paz
tendo o sossego afinal
certo lugar em meu fim...

quarta-feira, abril 14, 2010

Esforço (para ser) heróico...

Sinto imensas as formas do remorso,
da dorida contagem dos momentos,
à angustia deformada pelo esforço
e pela vil voragem dos tormentos...

Cai suma e sonorosa uma chuvada
de enganos tão sofrida e assim chorada
forma de se enganar os alterosos
caprichos divinais e poderosos

do que por fim se afasta dos mortais!
Há quem se deite calmo e talvez certo
de ter feito passado o que decerto

teriam sido em mim coisas fatais...
Não são apenas palavras o que corrói
ou apenas sentimento o que assim dói...

terça-feira, abril 06, 2010

Procura

Qual a fonte?
ilusão, realidade, nada?
seja o que for,
não tendo exclusiva resposta,
assomará das experiências
- paradoxo virtuoso -
geradas pela cândida urgência
da mortalidade...