As palavras ficam amarradas
junto à emoção. São como fronteiras
longínquas, adivinhadas apenas,
por descobrir, por conquistar.
Nestas paisagens bravias,
labirintos cavados pelo
receio de sentir,
por vezes de ser,
lar das quimeras que me definem,
desenham-se os sons e as cores
dos meus dias,
e é o odor do medo
que dispensa companhia
numa quieta, sussurrante, indiferença.
Sou um subtil desesperar...
Por um beijo que nunca chega,
por uma carícia que se perdeu
sem me tocar;
caio vítima de um gesto
que de compreensão
decai em censura.
Sou fraco...
Certamente tudo isto mereço,
certamente,
mas não é isso que o torna
fácil,
não é isso que o faz
certo...
quarta-feira, dezembro 23, 2009
segunda-feira, dezembro 21, 2009
Padecimento
Adivinhei o porvir em certa manhã,
a indiferença desvelou o meu fim.
O pulsar do mundo não é coisa vã,
e a voz amadurecida que se fez em mim
farol, também não... Vivo o castigo
imposto pelas fronteiras da emoção,
algo que não explico, ou não o consigo
eu, indigno, tolo sem tino ou razão...
Sou uma sombra, exangue mortalidade,
visão de caos! É indiferente agora
por onde se perde ou por onde se chora
aquilo que resta da minha vontade.
a indiferença desvelou o meu fim.
O pulsar do mundo não é coisa vã,
e a voz amadurecida que se fez em mim
farol, também não... Vivo o castigo
imposto pelas fronteiras da emoção,
algo que não explico, ou não o consigo
eu, indigno, tolo sem tino ou razão...
Sou uma sombra, exangue mortalidade,
visão de caos! É indiferente agora
por onde se perde ou por onde se chora
aquilo que resta da minha vontade.
sexta-feira, dezembro 11, 2009
(Des)Ilusão
Observo como os olhares se evitam,
como o mundo é um reflexo e a realidade
um fardo da consciência, inutilidade
definitiva com que porfiadamente se excitam
os sentidos e se adormece o discernimento...
Sou uma forma espectral de sentimento,
uma miragem votada ao sentido transitório
da existência, uma medida sem dimensão,
um movimento ciclicamente inglório,
feito de carne, tormento e paixão.
como o mundo é um reflexo e a realidade
um fardo da consciência, inutilidade
definitiva com que porfiadamente se excitam
os sentidos e se adormece o discernimento...
Sou uma forma espectral de sentimento,
uma miragem votada ao sentido transitório
da existência, uma medida sem dimensão,
um movimento ciclicamente inglório,
feito de carne, tormento e paixão.
Septuagésimo post...
Todo o conhecimento, principalmente quando individualizado, tem a sua fonte em meta-interpretações - construções sobre interpretações de interpretações de ideias e proto-ideias - as quais ocultam, com ou sem intencionalidade, partes, por vezes essenciais, dos objectos sob escrutínio.
segunda-feira, dezembro 07, 2009
Perímetro do (meu) Futuro
Este meu cansaço é emanação
de toda aquela desilusão
que me acompanha e me define
de alguma maneira. Em mim
se funde a tristeza, insigne
tratado de Mal, contorno de fim
que me barra esquecer a sorte
de ser assim, aqui e agora, forte
como a esperança que me suporta!
Ah, quanta vileza comporta
este caminho que me carrega
e com subtis enganos me cega.
Sou uma confusão de júbilo e dor,
omissões, gestos, palavras, amor!...
Sou também o ânimo que me sustenta,
soberbo esforço que em mim alimenta
um fogo indómito, teimosamente seguro,
conforto presente, desejo de Futuro!
de toda aquela desilusão
que me acompanha e me define
de alguma maneira. Em mim
se funde a tristeza, insigne
tratado de Mal, contorno de fim
que me barra esquecer a sorte
de ser assim, aqui e agora, forte
como a esperança que me suporta!
Ah, quanta vileza comporta
este caminho que me carrega
e com subtis enganos me cega.
Sou uma confusão de júbilo e dor,
omissões, gestos, palavras, amor!...
Sou também o ânimo que me sustenta,
soberbo esforço que em mim alimenta
um fogo indómito, teimosamente seguro,
conforto presente, desejo de Futuro!
sexta-feira, dezembro 04, 2009
Métrica
Existe um local
onde espaço e tempo
são meras brincadeiras;
em que o próprio medo é
ora sombra,
ora terror...
E nessa morada interior,
onde o tudo e o nada
subtilmente se entretecem,
decides uma parte do futuro
esperando que dessa
espécie de sonho
se construam os actos
que, assumes, serão reais...
onde espaço e tempo
são meras brincadeiras;
em que o próprio medo é
ora sombra,
ora terror...
E nessa morada interior,
onde o tudo e o nada
subtilmente se entretecem,
decides uma parte do futuro
esperando que dessa
espécie de sonho
se construam os actos
que, assumes, serão reais...
quinta-feira, dezembro 03, 2009
Entendimento/Esperança
O sentimento é por vezes uma indefinição dolorosa, uma luta interior única, recorrentemente vivida desde que somos (auto) consciência até ao momento em que deixamos de o ser. A unicidade desta luta interior é um corolário da individualidade e a sua percepção uma racionalização. Talvez o momento de libertação possa vir da descoberta do "outro", do entendimento de que esta luta interior, embora essencialmente intransmissível, é porém comum a uma pluralidade de consciências. Mecanicismos à parte, é um conforto, mesmo que fraco, entender que não estamos sós, que outros lutam dentro de si procurando as perguntas para as quais, individualmente, faz sentido procurar respostas - esta busca será, talvez, o verdadeiro sentido da vida.
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