sexta-feira, agosto 08, 2014

não-eu-eu-não

o pedaço que eu despedaço
sai penosamente de mim,
fazendo-te eu sofrer assim
quando sem desejar o faço...

agrado-me desagradando-me
e acrescento-me desgraçando-me;
eis-me por um passo e outro inútil,
cada vez mais sujeito fútil...

não vejo já o deus dos deuses,
oiço apenas o uivo dos ventos
entre a desbravada dos meses.

eu rasgo em gesto decidido
as páginas dos meus intentos,
até que calo e mais não digo.

quinta-feira, agosto 07, 2014

merda... que não me apetece!

ando atrasado
fora do ritmo
desfasado,
até,
sempre!
a azáfama deste mundo de preceitos esconsos,
pululando de becos
e quelhas impossivelmente estreitas,
está pronta a sacrificar localmente
aquilo que espaços infindos,
agora fósseis vibrando viés
de mostruários tecnológicos,
abriam outrora ao guião sem norma
dos sentimentos.
assim definhamos nós
todos os dias;
tatuando na pele da alma
os traços toscos do tempo
riscados com fúria marcial.

há muito que não me deixo levar por um relógio no pulso,
mas continuo escravo
como os outros.