terça-feira, junho 29, 2010

Um Estranho numa Terra Estranha - Todos nós...

Estar aqui, rodeado de estranhos, define a essência de ser português, tanto como define a essência de ser chinês ou guineense; todos somos uma forma de solidão, uma voz isolada entre perplexidades incómodas e acomodações reconfortantes. Todos somos, é uma questão de honestidade, filhos que esperam por um carinho de mãe, loucos ardendo por um beijo apaixonado, por uma carícia de alguém amado, ou desejado, mulheres e homens sisudos que se derretem num riso estridente, ou no sorriso luminoso, de um filho.
No fim das contas, não somos tão diferentes assim.

sexta-feira, junho 25, 2010

Que dizes?

Os sentimentos que vês são meus
tal como estas palavras quando
as escrevi, mas são tantos véus
com que o mundo subtil vai enleando
quem se dispõe a despir preconceitos,
que apenas alguns, poucos eleitos,
cantarão o sentir essencial
das coisas, sem receios nem mal...

quinta-feira, junho 24, 2010

Angústia

Todos os dias por aqui passo
e aqui fica de mim uma parte,
um sonho caído
ignorado por quem por ele passa;
porque o mundo é assim mesmo,
como brisa suave
ou vento belicoso,
dispersa com indiferença
as folhas secas
onde a vida despudoradamente inscreveu,
o rol dos meus sonhos e das minhas fraquezas.

terça-feira, junho 15, 2010

Digo-te assim...

Faço-me vontade de acreditar
que todas estas ideias devassas
são, no final das contas, não desgraças
mas caminhos tortos para te amar...
Sei que em todos os reflexos te vejo,
ora como miragem, depois beijo,
e nos teus olhos invoco os sentidos
dos meus passos, os certos e os perdidos...

terça-feira, junho 01, 2010

Os meus espaços são como memórias dos teus passos

O vazio rouba-me espaço
e expande um inexorável
paradoxo em cada passo,
transformando-se em notável
mesura da vacuidade
do meu frágil sentimento.
Fica presente o momento
que reprime sem piedade
as cores do meu desejo...
Sobejará na memória
o perfume de um teu beijo,
feliz, selando a história.