De que interessa
ter as palavras certas
para dizer,
quando o sentido destas
se perde na pressa
com que se vivem os dias?
Medito no mundo
a horas tardias,
envolto no silêncio
próprio da solidão;
vejo-me, de súbito,
acordando
de um qualquer momento
em que sorrias,
para outro
onde apenas revelo,
embalado no teu nocturno suspiro,
o desconsolo
do meu coração.
quinta-feira, janeiro 28, 2010
quarta-feira, janeiro 20, 2010
O Desmemoriado
Sentes ainda
a dor da perda,
quando a perda, ela mesma,
em ti mesmo se perdeu
...
É estranho
que outros recordem
os teus passos
e tu, que então os deste
e bem assim os sentiste,
não saibas hoje
porquê...
a dor da perda,
quando a perda, ela mesma,
em ti mesmo se perdeu
...
É estranho
que outros recordem
os teus passos
e tu, que então os deste
e bem assim os sentiste,
não saibas hoje
porquê...
terça-feira, janeiro 19, 2010
Presença
Correm as imagens,
entre os diversos
degredos da alma,
daquele sorriso
com que me beijaste
de manhã...
E é esse o bálsamo
temperando meu dia;
fronteira
entre a loucura
que é minha
e o mundo
que é teu.
entre os diversos
degredos da alma,
daquele sorriso
com que me beijaste
de manhã...
E é esse o bálsamo
temperando meu dia;
fronteira
entre a loucura
que é minha
e o mundo
que é teu.
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Perspectiva
O que prende um olhar?
E que luz
se faz
dentro do brilho
que aparentam
esses olhos
que a descobrem
ou a evitam?
Não consigo apertar
a medição
do entendimento alheio,
tenho a duvidosa certeza
de um sentir
que sendo meu
é assim incerto...
E apenas em sonho,
quando olho
com o ver da alma,
ouso compreender
o que, na realidade,
jamais saberei...
E que luz
se faz
dentro do brilho
que aparentam
esses olhos
que a descobrem
ou a evitam?
Não consigo apertar
a medição
do entendimento alheio,
tenho a duvidosa certeza
de um sentir
que sendo meu
é assim incerto...
E apenas em sonho,
quando olho
com o ver da alma,
ouso compreender
o que, na realidade,
jamais saberei...
terça-feira, janeiro 05, 2010
O Desiludido
Deste o que de ti pensas ser o melhor. E isso que fizeste, não bastou...Nunca basta aliás, nunca, e talvez seja, apenas, desprezível.
Em troca recebeste as palavras e os gestos da reprovação, dispensados com a frieza distante com que os deuses fulminam os mortais.
Foi melhor assim, melhor que o vazio, melhor que nada, disseste a ti próprio e dessa piedosa mentira se fez o teu caminho em direcção ao esquecimento possível.
Em troca recebeste as palavras e os gestos da reprovação, dispensados com a frieza distante com que os deuses fulminam os mortais.
Foi melhor assim, melhor que o vazio, melhor que nada, disseste a ti próprio e dessa piedosa mentira se fez o teu caminho em direcção ao esquecimento possível.
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