quinta-feira, outubro 31, 2013

barro

eu estou no ponto do mundo
inundado por tal densidade ruidosa
que cuida o ser,
o meu ser,
tecido num filigrana de choro e riso,
dotar-se de unicidades mórbidas
a jusante do contentamento e,
em todo o caso,
conotadas com a desmemória de um sossego antigo.
o concreto valor do olhar
escorre pela encosta áspera que aparenta futuro,
desenhando o caminho
na medida do adivinhar dos passos.
disseste-me um horror gélido,
paralisando-me os contornos da esperança,
naquele processo vago que se usa
para deslizar por um outro sulco,
e fugir;
os caminhos separam-se definitivos
em filamentos subtis,
um passo lado a lado
e uma queda escarpada...
eu quis diferente,
mas querer não chega
quando a vida cimenta uma parede
por onde antes
se imaginou deslizar
uma nascente...