sexta-feira, abril 29, 2016

quase nada

o momento é tão simples
coisa de recato e encanto,
somado ao facto,
simples também ele,
de prever os teus olhos
pousando algures
numa brisa,
e respirando
sobre o mesmo horizonte que os meus.

enquanto o som
que emprestas às palavras,
me comociona mais
do que é dito partindo delas.
o mundo não mais me aflige
nos momentos assim vertidos,
degustando-os eu
como se viessem imortais.

há vezes em que o quase nada
é tão pleno,
que não existe veneno
possível de o matar.

terça-feira, abril 26, 2016

cursei o inútil preceito
das novelas, como herói
deste mito imperfeito,
que discorre e corrói.

desconto no reverso
de uma impudica nota,
devoção que disperso
por esse mundo em volta,

sem que se mostre efeito
de tal agitação
crivada no meu peito.

segue um dia, depois outro,
de porfiada emoção,
e, meu amor, não te encontro.