acho a morte
viés a fresta
de uma janela impossível,
tingida pela luz mortiça
dos preconceitos
que me afrouxam o tento.
a cosmética da noite,
perene balada dos sós,
sussurra uma aparência
de verdades profundas.
esquece tudo quanto essa musa canta,
deita-te sem pudor
com teus medos e anseios
até se fazer alto o dia
e feroz a dança.
o tempo afana-se em cousas vãs
como a estrutura
com que a fortuna
te escora,
e como as palavras,
que te confortam,
vão descendo sem tino ou sustento
até um fantasma de ti.
junta na memória o bulício alegre
de todos os sorrisos esboçados,
depois será noite
uma e outra vez.