segunda-feira, abril 02, 2012
fim
nas cores de um fim de dia
cheiram-se as farsas da vida.
o demente debochado
queda-se no abandono
talvez premeditado
de um vão de escada,
a memória esvai-se no seguimento demolidor
das curvas,
padrão inescapável ilustrando a inexistência da sorte.
o regresso será fortuito,
um processo de gozo decíduo,
decaindo inóxio em inexpressiva indiferença.
a ideia de ontem torna-se mais uma abstracção intangível,
comiserando-se no choro inconsequente da alienação,
rebelião sem frutos,
paixão sem futuro.
o arco-íris estende-se abstruso
pintando de cores sorridentes a infelicidade de um céu que se fina;
dói o passo que logo se enoja dessa dispersão de cinzentos
que corrói a cor de quem sente.
tantos esses sentimentos nobres,
desejos,
falácias,
crenças improváveis,
verdades absolutas!
tudo eclipsado pela sombra do que se esvaece e acaba,
num adágio que um dia se sonhou sorriso.
a cegueira indomável do tempo
impõe o seu travo final
no caminho que se quebra abrupto.
apenas o eco freme
por instantes,
depois,
o silêncio,
a seguir,
nem isso sobrará.
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