Não gosto particularmente de viajar.
Compreendo no entanto essa necessidade, melhor, essa obsessão, de fugir para longe da rotina; nada melhor que uma viagem para deixar para trás o que nos frustra no dia-a-dia. Também entendo o prazer sentido ao contemplar certas paisagens ou conhecer outras gentes, culturas, etc.
No entanto, "sabendo" tudo isto, sei também que estes momentos ficarão apenas como memórias entre uma imensidão de outras e que, para mim, não se destacam acima do prazer da leitura, da simples e boa conversa, do convívio em familia, da amizade singela e desinteressada que, no fundo, poderemos igualmente descrever como viagens do espírito...
Pessoas existem que falam ad nauseam das suas viagens, deste ou daquele pormenor que as maravilhou: do mergulho "fabuloso", da caminhada exigente e compensadora, da paisagem fantástica,...
É bom sentir estes prazeres, excelente ficar com as recordações, fantástico enriquecer a alma com experiências variadas, maravilhoso partilhar os momentos. Mas não convém esquecer que viajar é apenas um adereço entre as muitas coisas que definem aquilo somos.
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