A observação das relações humanas, independentemente da qualidade transmitida pelo observador nas suas conclusões, permite assestar alguns pontos interessantes.
Ainda que defendido pelo escudo sonoro da “minha” música digitalizada, tive a oportunidade de presenciar com o devido distanciamento mais uma discussão de “princípio” (infelizmente nada de muito elevado, embora este juízo de valor seja algo descabido no presente contexto) entre dois colegas.
Como em muitas discussões deste tipo, as conclusões não se pretendem construtivas e aglutinadoras; temos mais uma espécie de competição que quase inevitavelmente atinge um clímax sonoro – a razão tende a acompanhar quem gritar mais alto…
No final cada ego retira para lamber as feridas tentando reconstruir as certezas e manter a sua integridade mais ou menos intacta.
Mas debrucemo-nos um pouco sobre este estado de coisas. Como se podem eles retirar com as mesmas certezas que tinham no início? Apenas se não se chegaram a ouvir um ao outro. Também poderíamos admitir que ambos têm razão, mas tal soa a estranho e sendo ambos inteligentes tal deveria promover uma aproximação, não um rejeitar mais ou menos azedo e liminar do outro. Por outro lado podemos ter em conta as dimensões egóicas e assim postular que aceitar o outro e as suas ideias implica uma humildade não acessível a todos.
Provavelmente será legítimo concluir, ainda que sob a forma de hipótese especulativa, que a discussão entre dois “absolutos” inevitavelmente se conclui na forma de dois absurdos que se perpetuam…
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