adormeço os meus medos
no espaço nu das vírgulas,
pontuando de enredos
o eu que me verte em lágrimas.
nas sombras canto a luz
como quimera bruta
do quanto me seduz.
depois reservo ao tédio
a cor letal das horas,
somando como assédio
o gume dos segundos.
choro esquecido a tudo
sem pinga de vergonha,
sem rasgo de futuro.
em cada pinga um medo,
cada sonho um degredo...
suspira-me esperança
um vento da tua voz,
e essa pequena dança
de sílabas viçosas,
voluteia no reverso
de um entender sumário
dos poros do universo.
o desejo nos dedos
perlonga mais um pouco,
queimando na memória
o fado de ser louco.
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