Dizem alguns, os que têm tempo e estômago para tais actividades, que é apanágio (palavra ruim) do ser humano a busca da Perfeição. Tenho para mim que tal é um (perfeito?) disparate.
Que sabe a humanidade da Perfeição? Exceptuando a palavra, pouco mais... o conceito em si, isto é, a explicação da Palavra ou a descrição da Ideia, transporta o inquiridor honesto para um abismo intelectual. Sim, meus amigos, é através da dissecação Racional que os conceitos se podem, de facto, apreender, dominar e compreender. Explico... uma definição compreensível é forçosamente baseada numa articulação coerente e sequencial de palavras, ideias e conceitos. Aquilo a que humildemente chamamos Conhecimento é esta teia, a Razão e a Experiência são os guias que nos permitem "ver" para além do aparente caos, tirar o sentido das coisas associando ideias e experiências para construir "novas" ideias e fazer crescer o que sabemos, mas esta é uma outra conversa.
Existem conceitos ilusivos, que tentam consubstanciar e instanciar nas nossas pobres cavidades cranianas algo que manifestamente nos transcende. Se essa transcendência é absoluta, temporária ou meramente fruto da estupidez torna-se irrelevante para o assunto em discussão, e este é, pois também eu tenho já dificuldade em situá-lo, a Perfeição e a sua "busca". A Perfeição é, pois então, uma daquelas quimeras que na impossibilidade de lhe atribuirmos uma definição universalmente (perigoso advérbio de modo) aceite, se transforma num ditame cultural e, em muitos casos, num dogma de Fé.
Para o céptico conceitos como a Perfeição sublinham a necessidade imperativa da coragem intelectual, isto é, a transposição do confortável lugar-comum cultural ou referência religiosa, para um mundo onde a Dúvida reina suprema.
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