Enlouquece a memória
no tumulto sofrido dos desejos,
e cresce entre compreensão e desdém
o sonho que dá sentido aos beijos.
Enfada-se o ar
em devaneios ocos
e um pulsar vigorosamente inútil
esboça-nos a morte aos poucos.
A ilusão sente-se
como paradoxo iluminado,
e na luz que alumia os outros
funde-se o que é,
no engodo de um Fado.
Os passos estão dados
comprometidos no sinuoso carreiro
que os leva, talvez, enganados...
E os olhos, somando perdição e lágrimas,
cedem herméticos
ao horror das lástimas
que erodem os ossos e fazem adivinhar o futuro.
A escuridão acolherá o resto,
e uma carcaça vácua fará testemunho
de um rumo inconsequente
para sempre calando,
sob o pesado compasso da solidão,
todo e qualquer protesto.
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