quarta-feira, dezembro 21, 2011

Visão


O mundo não sente a mão da justiça
nem acusa o bafo do sentido.
o mundo não se esquece pois não sabe sequer
o que é lembrar.
o mundo não ama a curva sensual rodeando os recantos de um dos teus sorrisos,
nem se curva sob o peso da dúvida e do medo.
o mundo não sabe nem aprende ao que sabe uma maçã
nem ao que cheira uma flor
nem ao que se agita num beijo.
o mundo é um vazio cego de vísceras e pedras
de sons e de luta, sem fito outro que não,
continuar entropicamente e mais nada.
o mundo é tudo isto
e tudo isto é um monte de nada.
o mundo não me vê mas,
fendido por todos os meus preconceitos
enganado pelo consolo vago da consciência dos nervos
eu vejo o mundo...
eu vejo o mundo e nele me vejo a vê-lo...
nesse processo dorido de continuar a ser;
mergulhado nesse preceito
aprendo
e vejo o mundo que aprendo
para depois aprender
a ver o mundo com olhos mudados.

tu estás lá
com os outros, comigo também,
a ver o mundo
e depois
já não apenas a vê-lo
pois no fundo
o mundo
é também estes
a quem chamamos,
após aprender todos estes sublimes e inúteis trejeitos
e mais,


nós.

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