terça-feira, junho 12, 2012
a flor
dói algo de fundamental,
desde a pele que se oferece ao vento
até um centro abstracto,
retiro da alma postulada no desejo.
não é um canto qualquer,
aquele a quem oiço trazer o tento último
das bifurcações do futuro;
a mão descai e pendula sem jeito,
perdida,
enquanto a musa passa
vagueando subtilmente sonora
por espaços de delícia.
bate o coração em tumulto,
latejando nos nervos uma vontade inebriada
entoando-se nos gemidos do prazer.
junto do húmus da terra soergue-se
suave e bela,
a flor,
em seu perfume resume-se um ditado do destino
e nas suas pétalas
gotas minúsculas descrevem com vagar
um caminho sensual,
lacrimejando de volta ao mundo
um dos nomes da saudade.
seja o lento mover das montanhas
testemunho justo
de como tudo quanto se ama,
é frágil consequência
do caos.
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