toda a matéria de facto
se perpetua em discursos flatos;
o odor perverte o sentido
mesmo do mais ousado,
ainda que se mostre,
após,
como que cambaleando entre ofensas,
fruto de uma espécie de memória débil,
pois até nas paredes mais brancas e despidas de luta
se formam as letras
da revolução.
o coração reserva-se nos devaneios
dos acossados pelo frio das noites,
o seu compassado tumulto
acolhe a todos por igual.
é o meu irmão que grita,
é ele que ri das profundidades cavernosas
do passado.
agora restam as trincheiras
com os seus restos de carne;
a planície,
mesmo em frente,
pejada de vultos que já foram,
promete um alento manhoso na distância do horizonte.
a morte não é silenciosa,
apenas os mortos
o são.
Sem comentários:
Enviar um comentário