o absurdo
adorna cada esquina do mundo,
arredondando suas aresta sangradas
com a precisão dolente de um bisturi,
cortando sem remorso
a película liberal
de um sonho
imoderadamente lúcido.
e nessa dimensão abstracta,
onde o tecido vivo
deslembra o remoer das vísceras,
se promove um senso real:
a rosa morta
freme em um vermelho vivo
e a húmida promessa,
que escorrega lânguida pela encosta
de uma submissão perfumada,
encharca a consciência
de fados impossíveis.
enrolando-se em tudo,
tudo flui;
sinais,
vertigens,
são promessas embusteiras,
murmuradas para dentro
gritadas depois
ao mundo.
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