existe o mar,
as estrelas suspendem-se na impossibilidade
aparente
de um céu profundo e intangível,
fonte antiga de antigos prodígios;
ecos divinos outrora faróis de almas,
agora belos e mortos.
parece-me o destino
a assombração do entendido,
e o entendedor
concha envergonhada
e fogacho do tempo;
um capricho sorteado
no caos dos átomos.
desperto cada dia
com o sentimento vigoroso
de estar vivo,
é uma espécie de dor
e comove-me as vísceras
até se conceber em labirinto melancólico
enformando-me as decisões.
tenho por mote,
a dúvida.
as coisas,
na aparência evidentes,
afogam a verdade na extensão imensa
da opinião que ruge nos passos apressados
da rua.
se os meus pés,
no final,
se movem por uma estrada,
trilhando na aparência uma ordem ditada,
os meus pensamentos libertam-se
por todos os caminhos
por onde diverge
o mundo.
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