quarta-feira, novembro 13, 2013

frente

o calafrio vincou-me a pele imaginária
no preciso momento em que o fecho seccionou a verdade
num decreto impopular.
talvez a aparência dos juros,
esse formato enigmático dos números
expresso em sovinice pelo tempo,
comente por si a emergência incontornável da morte;
talvez,
atrevo-me a supor,
o esgueirar lesto dos sonhos
seja mais concreto que os estores
batendo sonoramente na pedra,
sem sentimentos,
que desenha a base rectilínea de uma certa janela tangente.
a roda consuma enfim a pesada herança da inteligência,
enquanto na distância
o vento escarnece desalinhando idealmente o teu cabelo.
guardo esta imagem nos olhos
enquanto o pó,
ordenado e sisudo,
se escorre por entre as frestas salgadas do futuro;
ordeno aros metálicos enquanto murmúrios simples
de uma destreza conjuntural,
descem por fim estas cores sobre o meu corpo,
desmemoriado dos teus dedos.
é a canção do frio soprando-me
as memórias da primavera.

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