quantos silêncios
retornam sanguinárias farpas,
rasgando feridas na pele infinita
por onde me sangram os sentimentos.
por vezes
a proximidade flutua
qual equação incisiva;
manifesto de uma
directamente proporcional relação,
entre a causa
advinda desse teu olhar sem rumo
e a consequente falta,
guiada por gélida precisão laplaciana,
demonstrando o teorema da minha angústia.
o futuro produz-se zombando-me
em todos os infinitésimos erros,
colecciona-se em pedacinhos de memórias ásperas,
até se criar entropia máxima
de uma antepassada esperança.
talvez seja este o peso bruto do tempo,
manifesto inescapável da senescência.
talvez o primevo fascínio do horizonte,
renovado na promessa de cada aurora,
tombe agora em um medo
medrando a cada novo poente.
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