Procuras nos ventos
mensagens dos deuses,
mas os deuses estão mortos
e o coração humano,
outrora sujeito aos caprichos mesquinhos dos elementos,
motor subtil que ousou mover montanhas pela vontade,
anuncia agora um compasso diferente.
Hoje, o cinzento do dia
promete outro dia cinzento,
e a luz do sol
é fonte de energia
e já não evoca poesia.
O mundo não te permite parar
e se paras
é para que sintas um castigo
definitivamente mecânico.
E no entanto,
o vórtice estonteante que nos consome
é ele mesmo fonte de estímulos,
de prazeres ignotos,
de esperanças por sonhar.
O universo esconde-se
nos interstícios do tempo
e nas texturas porosas,
grandes e ínfimas, do espaço,
e tudo isto se enrola
num labirinto
aliciando a mente à descoberta
de cintilantes surpresas
que iluminarão, sem dogmas,
todas as hesitações da busca.
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