O sol arrasta as coisas do mundo até às sombras
que cobrem em escurecidas insinuações
as paredes brancas, fronteirando a privacidade
de quem atrás delas se acoita
dos olhos do mundo.
O vento então fala,
na resistência sonora que lhe fazem
as coisas que dependem, mesmo que vagamente,
das bênçãos desinteressadas da terra.
E nesse vale onde o bulício da restolhada
faz esquecer o ruído da mecanicidade urbana
o sorriso escuta-se
na serenidade que o vento sopra
e o sol, num abraço quente,
suavemente o contorna e estampa,
sem egoísmos ou distracções,
no sussurro demorado das sombras...
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