Os sons de que fazemos memória
são como faróis
na névoa nocturna que o sonho usa
para nos arrancar à realidade.
Eles são amor
na recordação amorosa
da doçura infinita de uma voz amada.
E também saudade,
entranhando nos sentidos
a moléstia das ausências.
Tomamos por eternas
certezas demasiado pequenas,
e numa ingénua inutilidade
construímos mundos inteiros de engano!
Por uns momentos,
na serena honestidade
dos instantes de solidão,
são os fantasmas dos sons passados
que nos fazem ouvir a razão
na imensidão impossível
de um silêncio...
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