segunda-feira, julho 25, 2011

Para nos lembrar o que somos...



De somenos importância
sobejando
até
de uma primeva ignorância
eu sei
desenvolve-se o momento do achado.
Aqui se choraram mortos
aqui berraram nados-vivos
hoje anónimos
desconhecidos
esquecidos.
O que acontece
recorda-se
por vezes
com uma voz uma entoação própria
uma forma de dar sentimento
e sentido
ao que passou.
Eu sou um passageiro
apenas isso
pensando como alguém
outrora
foi aqui dono de si
amante e amado
guerreiro e escravo
menino
velho
morto.
Do refugo da terra
falam-me restos
contando silenciosamente
como a intimidade
se toma estranhamente
por tubo de ensaio
da História.
Mas
feitas todas as experiências
contadas todas as nuances
ousadas todas as interpretações
temos sempre nos gestos mais singelos
os nossos sentimentos mais fortes.

O abraço

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