sexta-feira, setembro 30, 2011

Cru


Hoje é aquele dia
que se mede pela dimensão
imprecisa
de uma dor diversa.
Eu sei o que sinto
quando a ternura me invade
qual veludo
pelos olhos adentro.
E sinto-a
digo-te
como um cheiro bom
e um suspiro
daqueles que sabem
a uma brisa
envolvendo um jardim.
E dentro da jaula
que hoje me dói
não é a solidão
apenas
que me segreda o futuro
é aquela fatalidade
enorme
que se chama fim
que me diz
- olha e esquece.
O verdadeiro desassossego
é pois
o cru terror
de esquecer.

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