segunda-feira, outubro 31, 2011

[a]fatalismo


Quanto nas cores se confessa o dia?
As folhas castanhas do Outono
contam o fado da decadência
como se de um nome apenas
exalasse precisa
a nomeação da senescência.
É inútil desejar a Primavera
mesmo que o nome
imortalize a vitalidade;
o mundo não se compadece disso.

Da inutilidade física
desse fatalismo a que cheira a realidade
promoveu-se o estranho perfume do sonho
a mortificação idílica do desejo
e a memória
referência suprema daquele que sonha e deseja
mesmo que indiferentes lhe sejam
todos os ciclos do mundo.

Tanto no desprovimento do Inverno como na prolixidade da Primavera
germinam desejos e sonhos.

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