sexta-feira, outubro 28, 2011
Seis Confissões
I
A memória é como o som de passos pequeninos
eco de risos infantes
trespassando o coração da indiferença.
II
Situados acima do horizonte estão os teus olhos
brilham com a certeza que reconheço impossível
das coisas que medram dos átomos da simplicidade.
E como simples as classifico humildes
e como humildes as sussurro quais verdades universais.
III
A manhã segue-me após a noite com uma inevitabilidade mortal
e cada mutação entre o Sol e a Lua
soa como um "tic tac" ineludível
universalmente disposto para mim
oculto porém da intelecção mundana.
IV
Esgotam-se lá fora as gotas em chuva intensa
e em cada uma zune uma sílaba
marcando o passo do poema inteiro
que passa pelos dias de Inverno.
E nesta cadência imersiva
distinta
e minha
escuto um outro compasso
aquele que ritma dentro do peito.
V
É toda esta sequência uma promessa;
após o poema da chuva
virá outra coisa
e aí reside toda a esperança.
VI
Eu mudo na mudez própria da minha solidão
sabendo que sendo fundamentalmente só
tenho mãos que dão e tocam
braços que erguem e abraçam
lábios que beijam
e lágrimas
e sorrisos
para juntar tudo isto.
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