quinta-feira, maio 23, 2013
{a}preço
sobra por metade
o apreço vão das coisas vivas;
a constante rotação da carne
esvai-se na liquefacção portentosa do sangue
escorrendo metodicamente
até morrer.
a praia jaz
no regaço pária do grito
- naufraga a esperança nas rochas
apressadas
do vento.
pinga depois a chuva
aqui num momento
ali em um outro afago.
desejo o teu abraço,
consolo fraco de um fraco,
fraquejo enfim no redondo corso
do marulhar das areias de um deserto escaldante.
a realidade constrói um monte de oliveiras
onde pingarão as gotas amargas de um condenado,
ecoando a dor humana
pelas cavernas húmidas e solitárias
da história
como opróbrio divino.
o palhaço chora,
sem dor ocorrer no pensamento da folha
que após desabrochar flor
morre
na cor precisa do pólen,
queda numa mesa mecânica
e industrial.
há um zunido eterno
ninguém o deseja escutar
e ainda bem.
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