segunda-feira, maio 13, 2013

vagar


comecei devagar,
a lentidão nomeia-se
em um arrastado
e consentido
silêncio.
seguro imaginariamente
a tua mão,
desenho-a vaga
no perfume tecido
no espaço estendido,
quase até ao infinito,
entre nós.
o degredo dos gestos e dos sons
transforma o regaço escorregadio dos olhos
numa ponte traiçoeira,
não há mentira na brisa
escorrendo entre o raso da terra
e a abstracção do céu,
mas uma espécie de medo,
um medo fundamental,
confundindo a sequência escorreita
dos passos.
acoitam-se os pés
no sossego impossível da noite,
das entranha das sombras
rasga-se o grumoso compasso dos sonhos
fazendo-se gotejar,
sem fito preciso
mas com precisão aritmética,
entre arestas e distâncias.
depois,
o sumo dos teus lábios
fala-me das delícias do corpo,
tudo o resto
rega-se de sentimentos
que te contornam
em descontrolo.

Há uma nobreza respeitosa na decadência,
baixo o olhar
não para fugir como um cobarde
ao escrutínio de outros olhos,
apenas para que neles
não me force reflectir a finitude pueril
dos meus.
entre todos estes soluços
não há precisão
em ter
qualquer pressa.

Sem comentários: