fazes esse gesto leviano
como se arranhasses o tempo
para me fazer chorar.
não importa se o vento sopra,
ou que a lua escorra
da linha do horizonte,
até o seu espelho luminoso
se desfazer aos meus pés
em preces e lamentos salgados.
de nada serve que o mundo
esqueça o propósito omisso dos deuses
e escorrace a frágil certeza dos homens,
renascendo indiferente
no ciclo maciço dos astros.
eu serei assim,
tu serás tu,
nada mudará,
tudo será distinto.
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