o pendulo dos passos
desce sobre a calçada,
escorrendo os pés,
pelo denso ruminar dos sentimentos,
ao ritmo lesto
de um final de dia.
um momento desfaz-se na multidão,
rompe em olhares sem fito
tomba de escadarias impossíveis,
de parapeitos escarpados,
até focar um corpo
crivado de vergonha.
o vento sopra furioso
no silêncio vencido
de um monte solitário;
enquanto alguém,
sem nome,
esquece sonhar.
amarga o vulto sem voz
na surdina leprosa do desprezo.
enquanto dói o tempo,
a memória rasga a carne
traçando a linha
de um mapa sem fortuna.
assim se cruza o norte dos sentidos;
entre vagalhões arremessados a pontões inúteis,
portos sem esperança,
faróis sem luz.
os náufragos mortos se farão felizes.
o agrado do olhar
perdeu-se;
esvai-se no vazio das noites.
fica o desassossego.
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