segunda-feira, abril 18, 2011

Anátema

A voz da humanidade é sincopada, organicamente impossível de escutar. Uma tragédia cacofónica descompassada, contraditória, brusca.
Nos seus extremos mora um silêncio sem objectivo, não menos tumultuoso, vastamente espectacular, mas sem a glória e o tormento da consciência.
Aquilo que nos separa deste silêncio sonoramente potente, é uma gloriosa forma de inconsequência; mas ainda assim é uma forma de o mesmo, silêncio, ter, ainda que momentaneamente, uma espécie de destino.
Talvez este curto espaço de memória, estranho momento em que o inconsciente se permite a consciência de ser com base naquilo que já foi, seja além de um acontecimento raro também uma maldição.
Efectivamente, o vasto silêncio de tudo finalmente se apercebe de uma fundamental precariedade - a morte da voz consciente é inevitável - da memória, a estatística do equilíbrio termodinâmico apagará a memória, e o silêncio, enumerará o nada.
Melhor seria que o nada fosse apenas nada?
A tragédia poderia não o ser, apenas por não ser conscientemente prevista; seria muda eventualmente classificada como néscia por uma consciência impossível de ser - melhor assim como é/foi, então...

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