terça-feira, abril 05, 2011

Quanto em cada nova manhã
se perde para todas as outras manhãs?
Quantas coisas doces apodrecem
sem que o mundo saiba
quão doce a sua doçura seria?
Quantas lágrimas desacompanhadas
se perdem
num angustioso e descompassado nada?
Quantos sorrisos não abençoam
quem, de um ou de outro sonho,
os fez brotar?

Quanto de nós se perde,
a cada instante,
no império das obsessões fúteis?

Todas as horas encerram
uma espécie de juízo mudo;
todas as horas conjuram
incessantemente,
no massacre célere dos segundos,
sombras com augúrios,
luz com paixão,
vida e morte.

Adivinha-se na poeira que molda as coisas,
que lentamente se agrega num húmus
fertilizador de vidas inteiras,
uma calma que a distância, qualquer que seja, promete;
e quando esta quietude, finalmente,
desliza, se desprende dos preceitos mecânicos do mundo,
renova-se algo de precioso
talvez num adágio, quem sabe se num suspiro,
sussurrando a urgência
de unir as vontades
de tudo a quanto, pacientemente, sentimos o pulso.

E assim seguimos,
rumando...
Com um fito talvez preciso,
em cada nova manhã...

2 comentários:

CM disse...

Tão lindo! Como sempre...

Kamaroonis disse...

Obrigado pelo gentil comentário, CM.
Volte sempre!