Eu oiço dos nomes o desconcerto dos sentimentos que me despertam. Como se, por exemplo, um dado nome se plastificasse de encontro ao molde de um dia de sol e que umas nuvens esfarrapadas num fundo idealmente azul o associassem a algodão, quem sabe se doce.
O primeiro sentido dos nomes é poder chamá-los às coisas, e pessoas, bem entendido, identificar, catalogar, racionalizar; mas também se formam por lhe associarmos algo além: credos, desejos, esperanças, sentimentos, até mundanas sensações - materialismo puro e duro.
Mas os nomes das coisas, e das pessoas, carregam consigo, além de todas as coisas boas em que gostamos de acreditar e com as quais sonhamos e sobre as quais construímos e vivemos, de todas as nossas obsessões ou vícios, o peso individualmente inconcebível da história e, mais em concreto, os preconceitos que nos encarceram num determinado lugar e tempo do mundo.
Os nomes são, ao mesmo tempo, fonte de aparente constância e constante fonte de mudança.
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