quinta-feira, julho 30, 2009

Loucura Desapiedada

Uma revolução implica momentos de loucura, por vezes sanguinária. O sangue pingou em simultâneo com uma irritação irreprimível. Um som ecoou, compassado, uma simetria esperada, um momento de ordem. Aquela madrugada acordava sob o signo do sangue, mas sem violência... ainda.
O pensamento alheou-se por momentos, por entre imagens de paz - estranhas, tão distantes como uma luz de farol avistada numa noite de mar revolto.
A lâmina pousou humedecida; olhou-se mecanicamente através de vários reflexos, a ferida não era profunda, a morte ainda assim espreitava.
Num momento o vermelho transferiu-se manchando cruamente um pano imundo, oferecendo uma distante estranha memória de pureza; um gesto impaciente selou mais um final.
As certezas virão depois, quando o julgamento tiver o poder da serenidade, quando a loucura finalmente acabar - o mundo voltará a ser o mundo, mas as almas estarão para sempre perdidas; será o pesadelo então distante como é agora o sonho?
A morte responderá ao futuro e o esquecimento fará, a seu tempo, voltar o passado - escuro, vermelho e louco!...

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