quarta-feira, maio 04, 2011

Perdição

Um cinzento chuvoso
lamenta gemidamente uma ausência.
Um passado ignoto esbanjou-se algures
e assombra, num lamento silencioso,
a quietude das pedras.
Sobe da ruína um adágio
sonegando às palavras a esperança,
pois o cião não se respira aqui
nem a suave brisa de um sol primaveril
trazendo em insinuação florida
o som de sorrisos profanos.
Os meus olhos fecham
e forçam a contemplação
da impossibilidade do desejo;
sinto na pele
o gelo de uma escuridão
de onde se apaga o calor
que luz nos teus olhos...
E assim sou perdido.

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