Para além do silêncio
sentem-se os espaços como tons descolorados
enformando, no sentir, o vazio.
Em moradas arruinadas
dormitam as palavras
que nelas se ouviram;
vácuas promessas de amor,
mentiras várias,
risos
e morte.
O sonho que hoje nasce insonoro
será cimento de cemitérios,
flores selvagens,
porventura sementará uma canção.
E tudo isto será medida,
fruto dúbio
de dúbia contemplação;
do sonho à mesura
contam-se palavras
e em cada palavra sobram,
além de signos e sons,
todos os seus vastos sentidos...
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