Não sei se para lá da linha inventada
a que chamamos horizonte
se encontra o que os meus enganos somam
e gostam, silenciosamente, de se prometer.
Todos os futuros são incógnitos
todas as promessas se sujam
inevitavelmente, às vezes inocentemente,
de mentira,
e nada disso invalida o domínio do desejo
que faz das farturas
ou das misérias do momento,
úteros prodigiosos do porvir.
Talvez fite em demasia o horizonte,
ignorando tudo quanto,
aquém deste,
bate como o coração do mundo.
O desejo segreda-me o desassossego,
o Presente grita-me a distracção.
Entretanto,
fica tudo quanto me faz vivo.
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