quarta-feira, novembro 23, 2011
Ao Som que Soa a Música e o Sentimento
O som como que nasce
de todos os sítios
de uma indefinição geral
de tudo e de nada.
depois
as notas transmigram
viajam fantasmagóricas
em multidão
por entre os poros da pele
acariciando o corpo
que se abandona às subtis vibrações sonoras.
enquanto assim se alheia
a vontade também se vê chorar
apenas um pouco
o suficiente
para que o entendimento se faça
da sensação de estar vivo.
tanto aurora quanto ocaso
se reclamam de atenções especiais
no entanto
todos os momentos
reservam uma identidade única
ainda que partilhem somente
de comiserada banalidade.
é no acento tónico
que o espírito punge e geme
pois todos os sentidos
nervos
percepções
se entregam a esse sentir
misto de plenitude e abandono
que é o escutar...
tanto aqui
quanto lá longe
onde o horizonte se chama já desconhecido
isto é verdade
tanto quanto verdade pode ser
um emaranhado de sentimentos.
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