quinta-feira, novembro 17, 2011

Temporário


Olá!
quando a noite me deixou finalmente
o sol magoou-me os olhos
e essa astrologia decidiu por mim
dorida
a forma precisa
embora visivelmente turva
do novo dia.
revesti-me nos moldes próprios
dos formatos aceites
para ligar
os passos certos
conformes às exigências produtivas.
é uma covardia imensa
esta de ser submisso
a uma miríade de vontades alheias
coagindo sem dó
uma singela vontade só.
covardia inevitável
de quem ama
diria.
o manto resvala de cima
de um céu indefinido
indizível medo
e vai aderindo ao corpo
numa espécie de tecido conformador
que submerge o pensar e designa o mover.
ouso ainda assim os argumentos
formas intrincadas de consolidar ideias
emergindo depois subtilezas
travões certeiros que desgastam a pressa
inequívoca
das conclusões meramente úteis.
já não é a verdade que conta
apenas o temporário
que tomou do tempo essa celeridade extrema
do resultado imediato.
seja
é a mentira que manda
e o sucesso está nisso mesmo.

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