quarta-feira, novembro 30, 2011

[I]mortalidade


Não sei como começar
e todos os começos se revestem
daquela dúvida medrosa
que os separa do futuro
já não muito distante
em que deixam de o ser
- começos...
o sol e a lua
e bem assim todo o universo
são como janelas para a imensidão
do que lentamente se suspende
sobre o teatro efémero
dos que se esgotam prodigiosamente
no afã espectacular da mortalidade.
o sol e a lua
e bem assim todo o universo
não têm como temer o peso do remorso
nem o desgaste constante da dúvida,
testemunham apenas,
longe de todas as angústias do ser,
como quem morre se compromete
com quem morre também
e desconhecem portanto
a urgência fundamental
de cada um dos passos pensados,
do mais pequeno dos sentimentos
ao mais insensato dos amores,
ignorando a pequenez grandiosa
que mora fugaz
em cada mortal.
O mortal define-se
em tantas medidas
pelo medo de começar;
a eternidade não tem como temer
qualquer fim.

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