sexta-feira, novembro 25, 2011

Já és Saudade...

A Monserrat Figueras, com a ressalva óbvia de não lhe poder fazer a justa homenagem...




Como se pode conceber a perda
a ausência do som subtil de quem vive
e de todos aqueles jeitos deliciosos e únicos
que vestem os tratos simples dos dias?
como se pode conceber a aceitação dos gestos crus
que inexoravelmente colam as premissas da vida ao colo da morte?
Como se pode conceber o silêncio
o vazio que fica por não haver mais aquela voz precisa
que encheu o espaço dos sentidos com uma forma improvável de sentido?
a dúvida é um motor inquebrantável,
um encadear impreciso de condoídas fatalidades e de catarses felizes;
em todo o seu traço de inevitabilidade é por vezes mansa
e então esquece-nos por breves instantes
enquanto escutamos um som diverso
sentimos um sentimento distinto
e colhemos sabedoria de um fruto proibido.
E tudo isto é possível
não pela mão invisível de um deus cobarde e ausente
mas pelo gesto vivo de uma vida diferente
infelizmente tão breve
felizmente tão viva!
É deste corso visceral que se faz a saudade...
daí a sua dor
daí a sua beleza.

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